ss abre“Atividades como essa são fundamentais para a busca da igualdade em nossa sociedade, algo que ainda está muito distante, haja vista que, nesta Câmara Municipal, que tem hoje 28 cadeiras, sou a única vereadora negra eleita”, declarou Ana Nice Lula (acima) em seu discurso. Foto: Oscar Jupiraci

Convidados da mesa de honra usaram a tribuna do Plenário Tereza Delta para abordar temas alusivos ao Dia da Consciência Negra em uma sessão solene presidida pela vereadora Ana Nice Lula (PT) na noite de terça-feira (19/11).  

ss ana niceA vereadora Ana Nice defendeu o cumprimento da Lei Federal nº 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira em todas as escolas, públicas e particulares, do nível fundamental ao médio. Foto: Oscar Jupiraci

“Atualmente, o 20 de novembro é comemorado em cerca de 1.045 cidades brasileiras. A nossa luta é para que se torne um feriado no país, para que Zumbi seja reconhecido nacionalmente como nosso herói e para que a gente tenha nessa data uma oportunidade para se lembrar da luta, da cultura e da história do nosso povo negro”, enfatizou a parlamentar em seu discurso.

O Dia da Consciência Negra faz referência à morte de Zumbi, um dos principais personagens do movimento negro contra a escravidão no país e último líder do Quilombo dos Palmares, maior espaço de resistência de escravos durante mais de um século no período colonial (1597-1704).

Por enquanto, o dia 20 de novembro é considerado feriado apenas nos municípios e estados que aprovaram leis específicas sobre a data. Em São Bernardo do Campo, o feriado foi instituído pela Lei nº 5.947, de 17 de abril de 2009.

Ana Nice afirmou ainda que a data é uma ocasião para refletir sobre a atual situação dos negros no país. “Quando tem baixa no mercado de trabalho, esta parcela da população, que tem os menores salários, é a primeira a ser demitida. Pesquisas mostram que os casos de intolerância contra praticantes de religiões de matriz africana, como a umbanda e o candomblé, na região do ABC praticamente dobraram de 2018 para os primeiros sete meses deste ano, passando de 117 para 229 denúncias. Não podemos deixar de mencionar que as mulheres negras são as mais atingidas pela violência doméstica e o feminicídio”.

Ela concluiu sua fala, com um trecho da letra de Tributo a Martin Luther King, canção composta por Ronaldo Bôscoli e Wilson Simonal em 1967:

Sim, sou um negro de cor

Meu irmão de minha cor

O que te peço é luta sim

Luta mais!

Que a luta está no fim...

[...]

Mais um negro virá

Para lutar

Com sangue ou não

Com uma canção

Também se luta irmão

Ouvir minha voz

Oh Yes!

Lutar por nós...

Luta negra demais

(Luta negra demais!)

É lutar pela paz

(É lutar pela paz!)

Luta negra demais

Para sermos iguais

 

Com a palavra

ss elenir fagundesA professora e educadora Elenir Fagundes discorreu sobre “o racismo velado, naturalizado e, muitas vezes confundido com ‘bullying”, no espaço escolar. Foto: Oscar Jupiraci

ss ramatis jacinoDr. Ramatis Jacino iniciou sua fala citando pesquisas que indicam o aumento do número de jovens negros encarcerados e assassinados no país nos últimos anos. Foto: Oscar Jupiraci

ss leci brandaoEntre outros temas, a cantora e deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) mencionou a falta de representatividade dos negros nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Foto: Oscar Jupiraci

ss akan oadq“As mazelas que vemos hoje são resultado das discriminações raciais enfrentadas no passado. Nossa luta é uma continuidade por reparação”, afirmou o pedagogo e educador popular Akan Oadq. Foto: Oscar Jupiraci

Destaques

ss mulheres

ss marabaA vereadora Ana Nice aproveitou a ocasião para homenagear o Esporte Clube Marabá. Fundado em 1982 na “Curva dos Pretos”, na Vila São José, o time é um dos mais tradicionais do futebol de várzea da cidade. Fotos: Oscar Jupiraci

ss marcinho“Canto da raça” e “O meu guri” fizeram parte do repertório dos músicos Marcinho do Cavaco, Preta Dionísio, Fubá do Pandeiro, Miro da Cuíca e Isa Andrade. Foto: Oscar Jupiraci

ss torcidaA cerimônia terminou ao som da batucada da torcida do Esporte Clube Marabá. Foto: Oscar Jupiraci